Medimos 10 setores brasileiros para descobrir quem a IA cita
Quarenta perguntas de compra, dez mercados, 192 posições lidas uma a uma. O resultado desmonta a ideia de que existe uma regra única sobre quem a IA cita.
De onde vêm estes números
Em agosto de 2026 medimos dez mercados brasileiros. Levamos até os buscadores as perguntas de compra que uma pessoa realmente digita quando está decidindo onde comprar, e classificamos à mão 192 posições de primeira página: é site de marca, é marketplace, é comparador, é imprensa, é fórum.
No mesmo período testamos se os sites das cinco maiores marcas de cada setor devolvem conteúdo a um leitor automático. O resultado interessa porque um assistente que não consegue ler o seu site não tem como citar você por nada além do que terceiros escreveram.
É medição própria, feita à mão, com data. Não é levantamento de mercado copiado de relatório de terceiro.
A descoberta principal: não existe uma regra
A conversa de mercado sobre busca com IA costuma ser genérica. "As marcas estão sendo substituídas por marketplaces", "a IA prefere conteúdo de terceiros". A medição mostra que isso depende inteiramente do setor, e a diferença entre os extremos é grande.
Em farmácias, 13 das 20 posições eram sites de farmácia. A marca ocupa mesmo o próprio espaço. Em calçados, exatamente 1 posição de 20 pertencia a uma marca de calçado; o resto era loja multimarca e site de listas. Dois varejos, o mesmo país, o mesmo mês, resultados opostos.
Entre os dois extremos, cada mercado tem uma dinâmica própria:
- Automotivo: 19 domínios diferentes em 20 posições. Ninguém se repete, ninguém consolidou nada.
- Educação: 7 das 20 posições são plataformas de bolsa e comparadores de curso, ou seja, intermediários que revendem a vaga da instituição.
- Alimentos: o domínio mais frequente do setor não foi rede nenhuma, foi um fórum.
- Móveis: na pergunta que pede marcas pelo nome, os cinco resultados foram artigos de ranking, e dois deles publicados por lojas que revendem as marcas listadas.
A pergunta que mais separa os setores
Um padrão apareceu com força: perguntas que pedem marcas pelo nome quase nunca são respondidas por marcas.
Em moda, o tema que pede marcas brasileiras trouxe um blog, uma revista, um post do Instagram, um vídeo do YouTube e um marketplace de luxo. Nenhum site de marca. Em móveis, o mesmo tema trouxe cinco artigos de ranking e nenhuma marca. Em calçados, dois dos temas medidos pediam marcas e responderam lojas multimarca e um site de avaliações.
Faz sentido quando se pensa em como esses textos existem. Uma lista de "melhores marcas" é conteúdo que alguém escreveu de propósito para ser encontrado. A página institucional de uma marca fala da marca, não da categoria dela. Quem escreveu sobre a categoria ganhou a categoria.
O preparo técnico não explica o resultado
A hipótese mais confortável seria que as marcas ausentes têm sites ruins. A medição não sustenta isso.
Em calçados, as cinco maiores marcas passaram nos dois testes de leitura automática. É o melhor resultado técnico que encontramos em qualquer setor. E ainda assim as marcas ocupavam 1 de 20 posições.
Em cosméticos, só uma das cinco líderes passou nos dois testes, e as marcas também estavam ausentes. Ou seja: site ruim atrapalha, mas site bom sozinho não coloca ninguém na resposta. São dois problemas distintos, e resolver o primeiro não resolve o segundo.
Redes sociais e fóruns: 9% do total
Somando os dez setores, 17 das 192 posições eram plataformas sociais ou fóruns. Um número modesto no agregado, mas a distribuição surpreende: o Reddit apareceu em seis dos dez mercados, o Instagram em três, o YouTube em um.
Isso inverte a intuição de quem investe em rede social pensando em visibilidade para IA. A conversa que o assistente lê com mais frequência não é a que a marca publica, é a que os clientes escrevem entre si.
O que isso significa para a sua marca
A conclusão prática é desconfortável para quem procura uma receita: não existe uma que sirva para todos. A diferença entre farmácia e calçados é grande demais para extrapolar, e um plano montado a partir de um artigo genérico vai acertar em um setor e errar feio em outro.
O que funciona é começar pelo seu mercado. Descobrir quem ocupa hoje o espaço das perguntas que os seus clientes fazem, e o quanto disso é seu. Sem esse ponto de partida, qualquer investimento em conteúdo é aposta.
É exatamente por isso que toda marca que entra com a gente começa por uma medição do próprio setor, e não por um plano pronto.
O recorte público de cada mercado que estudamos está nas páginas por setor: cosméticos, farmácias, moda, calçados, alimentos, automotivo, educação, móveis, clínicas e software.
Limites desta medição
Vale dizer o que ela não é. É uma amostra, não um censo. Os resultados são de agosto de 2026 e vão mudar, porque a primeira página muda. A leitura foi feita para o mercado brasileiro, com resultados em português.
O que ela é: medição própria, classificada à mão, com data. E ela descreve dez mercados, não o seu.
Se você quiser saber o que aparece hoje quando alguém pergunta pela sua marca, a checagem inicial é gratuita e leva menos de um minuto.